Segurança de processo é diferente de segurança ocupacional. Essa afirmação já é bastante conhecida, porém, ainda em algumas empresas que lidam com produto perigosos, pode persistir a vocação em monitorar apenas índices de segurança ocupacional.
Em função disso, abaixo está relatado um fato real que custou caro para a empresa, mas, felizmente não houve nenhum dano pessoal. Este relato foi extraído do livro “Gerenciamento de risco: Como implantar uma gestão eficaz para reduzir os acidentes de processo no setor industrial”, do autor Elisio Carvalho Silva.
Caso 1 – Desempenho em segurança ocupacional não reflete a segurança de processo
Uma empresa que lidava com produtos perigosos possuía muitos acidentes ocupacionais e incidentes de processo. Após implantação de um programa de gestão de segurança ocupacional e processo, os acidentes reduziram e a empresa ultrapassou o recorde de acidente sem afastamento em centenas de dias, um índice reativo com foco na segurança ocupacional.
Devido a esse novo recorde de segurança houve uma premiação a todos para enaltecer o grande feito. Contudo, o líder da área de segurança foi bastante enfático ao dizer que esse bom resultado não poderia induzir às pessoas a reduzirem a atenção em segurança, principalmente na segurança de processo. Algumas lideranças diziam que a segurança estava muito boa e que não precisaria estresse em algo que estava controlado.
No programa de gestão de segurança existia um sistema de notificação e análise de desvios que qualquer pessoa podia preenchê-lo, eletronicamente, e os responsáveis pelas áreas tomavam conhecimento imediatamente da situação adversa. Foi percebido que esses desvios (índices pró-ativos), a grande maioria de segurança de processo, começaram a aumentar, o que demonstrava que algo estava errado. Na reunião do comitê de segurança foi discutido esse achado, porém, nenhum plano foi posto em prática porque a grande maioria estava confortável pelo excelente resultado em segurança.
Duas semanas após a reunião houve um descontrole no sistema de inibição de uma coluna de destilação. Esse sistema prevenia reação de condensação que poderia ocorrer no fundo da coluna. O descontrole perdurou por cerca de 24 horas e ninguém tomou uma ação adequada para evitar o pior. Ocorreu uma reação de condensação e liberação de uma grande quantidade de ácido clorídrico o qual pressurizou a coluna e a deformou completamente, uma vez que os discos de ruptura não foram suficientes para liberar a vazão do gás formado. Houve um custo de substituição de equipamento de cerca de um milhão de reais.
Lição aprendida
Mesmo os índices de segurança ocupacional estarem a indicar um bom desempenho, não significa que a atenção em segurança de processo possa ser reduzida. É fundamental medir o seu desempenho e tomar ações preventivas ou corretivas quando necessárias.